Por Reinaldo Azevedo, Blogueiro da Revista Veja.
Baixe o arquivo censurado com a entrevista de
Eleonora Menicucci.aqui
A petralhada vive reclamando do que chama “censura”
no meu blog, como se uma página pessoal, privada, pudesse censurar alguém. A
que chamam censura? Eles reivindicam “o direito” de me ofender e a meus
leitores! Não permito, claro! Visita que vem à minha casa tem de me tratar bem!
Só faltava acontecer o contrário. Não sou eu que invado o computador do
petralha, pô! Ele é que decide me acessar. Por que não fazem como eu, que
os ignoro? Também querem usar a
minha página para suas correntes de difamação ou de militância partidária, o
que igualmente não permito.
Discordar pode? Basta ler os comentários para se
constatar que sim. Mas é claro que
imponho restrições, ou se dará no blog o que se verifica na área de
comentários dos grandes portais e dos sites dos jornais: estão todas, sem
exceção, tomadas pelos patrulheiros. Seu trabalho é bater boca e desqualificar
os críticos do governo e do petismo. São pessoas pagas para isso, contratadas
com esse fim.
Aqui não será assim! A mediação tem demorado um
tantinho porque estou ainda sem um auxiliar. Que demore! Os meus leitores
compreenderão. Uma coisa é certa: a minha praia, eles não vão invadir. Aqui
mando eu! Mas volto ao ponto.
É de censura que querem falar? Então vamos lá. Toda
censura será sempre oficial, exercida pelo estado, pelo governo de turno. Falar
em censura em órgãos privados de imprensa é uma estupidez, uma cretinice, uma
vigarice intelectual. Jornais, sites, revistas, blogs etc privados têm, quando
muito, linha editorial. E olhem que até isso tem sido raro. Os “companheiros” estão infiltrados em tudo o que é
lugar. Os petralhas costumam chamar “censura” a eventual não-publicação de suas
mentiras e de seus reptos ideológicos.
Outra forma de censura é usar o dinheiro público
seja para punir veículos considerados incômodos — não os contemplando com
anúncios oficiais e de estatais —, seja para premiar os que têm o nariz marrom,
comprando a sua fidelidade.
Pois bem! A Universidade Federal de Santa Catarina é
uma instituição pública. A entrevista da agora ministra das Mulheres, Eleonora
Menicucci estava nos arquivos da instituição. Eu a descobri e transcrevi
trechos aqui. AGORA ELA FOI RETIRADA
DO AR! Os petralhas querem
um caso de censura? Pois eles o têm aí, de modo evidente e insofismável. Ontem,
o Ministério divulgou uma nota afirmando que já havia solicitado que ela
desaparecesse dos arquivos porque conteria “imprecisões”.
Há, sim, imprecisões nas transcrições, uma troca ou
outra de palavra. Mas não nos trechos relevantes — aqueles que transcrevi. Está
tudo muito claro!
1- Eleonora confessou que atravessou a fronteira da
Colômbia para se dedicar a uma prática criminosa naquele país: o aborto;
2- Eleonora confessou que seu segundo aborto foi decidido junto com o partido
de esquerda a que pertencia;
3- Eleonora revelou intimidades de sua vida privada
(sua primeira relação homossexual) e de sua filha (lésbica que fez inseminação
artificial);
4- Eleonora se disse avó dessa criança, mas também
“avó do aborto”, porque já fizera dois;
5- Eleonora confessou que sua ONG promovia exame de
colo de útero por leigos, já que ela própria disse ter se dedicado à prática,
segundo se entende, como examinadora…;
6- Eleonora confessou que o treinamento da Colômbia
era parte de uma proposta de se promoverem abortos realizados por não-médicos.
Para lembrar o trecho mais eloqüente:
Eleonora - Dois anos Aí, em São Paulo, eu
integrei um grupo do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde. ( ). E, nesse
período, estive também pelo Coletivo fazendo um treinamento de aborto na
Colômbia.
Joana – Certo.
Eleonora – O Coletivo nós críamos em 95.
Joana – Como é que era esse curso de aborto?
Eleonora – Era nas Clínicas de Aborto. A gente
aprendia a fazer aborto.
Joana – Aprendia a fazer aborto?
Eleonora – Com aspiração AMIU.
Joana – Com aquele…
Eleonora – Com a sucção.
Joana – Com a sucção. Imagino.
Eleonora – Que eu chamo de AMIU. Porque a nossa
perspectiva no Coletivo, a nossa base…
Joana - é que as pessoas se auto
auto-fizessem!
Eleonora – Autocapacitassem! E que pessoas não
médicas podiam…
Joana – Claro!
Eleonora – Lidar com o aborto.
Joana – Claro!.
Encerro
Eis aí! A retirada de um documento de uma instituição
pública por pressão do Estado, isso, sim, é censura! Ocorresse num governo do PSDB ou do DEM, a grande
imprensa faria um estardalhaço. Como se dá na administração dos companheiros e
como se considera, afinal de contas, que ser a favor do aborto é coisa de “gente moderna,
humana e progressista”, então se vai fazer um silêncio sepulcral a respeito.
Não será a primeira vez que a própria grande imprensa
vai condescender com a censura por causa do aborto. Já aconteceu antes. A
defesa do aborto, acreditem vocês, parece tornar aceitável no Brasil a tese do
crime de opinião.
Neste blog eles não se criam.
PS – Sim, eu fiz uma cópia de segurança da entrevista porque
tinha a certeza de que os companheiros agiriam como companheiros. E vou colocá-la de volta na rede. De todo modo, os
trechos mais eloqüentes já são de domínio público. Eles podem censurar a
Universidade Federal de Santa Catarina. Mas a mim não censuram. Não ainda. Se e quando seu
projeto de poder estiver plenamente consolidado, aí sim. Aí eles começarão
censurando Reinaldo Azevedo e terminarão, como todos os totalitários,
censurando os próprios companheiros.
Baixe o arquivo com a entrevista de Eleonora
Menicucci.aqui
Veja essa notícia:
A nova ministra da Secretaria Especial de Políticas para as
Mulheres, Eleonora Menicucci, pode ter de explicar ao Congresso suas posições a
respeito da legalização do aborto.
Bombardeio – As declarações fizeram com que ela fosse bombardeada pela
bancada evangélica antes mesmo de tomar posse. Na solenidade, no
entanto, a ministra não citou a palavra aborto. Mas disse que lutará pelos
direitos reprodutivos da mulher.
“Não podemos aceitar que mulheres sejam vistas como meros
objetos sexuais, que morram durante a gravidez, que não realizem exames
preventivos, que os serviços de atendimento às mulheres vítimas de atendimento
sexual continuem sem manutenção, e que tenham seus direitos reprodutivos e
sexuais desrespeitados”, afirmou, na ocasião.
(Gabriel Castro, de
Brasília)
Revista Veja