Para o Pontífice, a falta de unidade entre os cristãos impede o anúncio mais
eficaz do Evangelho, porque coloca em perigo a credibilidade deles. “Como
podemos dar um testemunho convincente se estamos divididos?”, questiona o Papa.
O Santo Padre enfatiza que o empenho ecumênico é uma responsabilidade de toda
Igreja e de todos os batizados, que devem fazer crescer a comunhão parcial já
existente entre os cristãos até a plena comunhão na verdade e na caridade.
“Certamente, naquilo que resguarda as verdades fundamentais da fé, nos unimos
muito mais que nos dividimos. Mas as divisões restantes, e que resguardam
também várias questões particulares e éticas, suscitam confusões e diferenças,
enfraquecendo nossa capacidade de transmitir a Palavra salvadora de Cristo”,
destaca.
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.: NA ÍNTEGRA: Catequese de Bento XVI – 18/01/2012
História da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos
A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos que começa nesta quarta-feira, 18
e vai até o dia 25, no hemisfério norte, é celebrada todos os anos, há mais de
um século, pelos cristãos de todas as Igrejas e Comunidades eclesiais. Eles
clamam pelo dom extraordinário que o próprio Senhor Jesus rezou durante a
Última Ceia, antes de Sua paixão: “Para que todos sejam uma coisa só, como tu,
Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo
creia que tu me enviaste”.
Bento XVI lembra que o Concílio Vaticano II colocou a busca ecumênica no centro
da vida e das atividades da Igreja e o beato João Paulo II, em sua Encíclica Ut
unum sint, destaca a natureza essencial de tal empenho, dizendo: “Esta unidade,
que o Senhor doou a Sua Igreja e na qual Ele quer abraçar a todos, não é um
acessório, mas está mesmo no centro de Sua obra. Nem é um atributo secundário
da comunidade de seus discípulos. Pelo contrário, ela pertence ao próprio ser
desta comunidade”.
Unidade: desejo de Cristo
O Papa ressalva que a “unidade que buscamos não poderá acontecer somente
por meio de nossos esforços, mas será sim um dom recebido do Alto, algo a se
invocar sempre”.
Este ano, os textos foram propostos por um grupo misto composto por
representantes da Igreja católica e do Conselho Ecumênico Polonês, que
compreende várias Igrejas e Comunidades eclesiais do país.
A documentação foi depois revista por um comitê composto por membros do
Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e pela Comissão Fé
e Constituição do Conselho Ecumênico das Igrejas.
Para o Santo Padre, esta iniciativa é um sinal do desejo pela unidade que anima
os cristãos e da consciência que a oração é o primeiro caminho para alcançar a
plena comunhão, porque todos que caminham para Senhor, caminham para a unidade.
Vitória em Cristo
“Todos seremos transformados pela vitória de Jesus Cristo, nosso Senhor” (1 Cor
15, 51-58). Mas que vitória é essa? São Paulo fala da “natureza temporária
daquilo que pertence a nossa vida presente, marcada também pela experiência da
‘derrota’ do pecado e da morte, em conformidade àquilo que fala a nós a
‘vitória’ de Cristo sobre o pecado e sobre a morte em Seu Mistério pascal”,
explica o Santo Padre.
Bento XVI ressalta que para vitória, que em alguns termos significa triunfar,
mas Cristo sugere uma estrada bem diferente, que não passa pelo poder e pela
força. Jesus, de fato, afirma: “Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de
todos e servo de todos” (Mc 9,35).
“Cristo fala de uma vitória por meio do amor sofredor, por meio do serviço
recíproco, da ajuda, da nova esperança e da concreta doação aos últimos, aos
esquecidos, aos excluídos”, afirma o Pontífice.
Para todos os cristãos, a mais alta expressão de tal humilde serviço é Jesus
Cristo próprio, destaca o Papa. “Nós podemos fazer parte desta ‘vitória’ nos
transformado e nos deixando transformar por Deus, somente se operamos uma
conversão de nossa vida”, enfatiza.
Caminho para a unidade
O Pontífice recorda que o caminho da Igreja está nas mãos de Cristo
ressuscitado, “somente Ele é capaz de nos transformar de fracos e indecisos
para fortes e corajosos ao operar o bem. Somente Ele pode nos salvar das
conseqüências negativas das nossas decisões”.
“Queridos irmãos e irmãs, convido todos a se unirem em oração, de modo
mais intenso durante esta Semana pela Unidade, para que cresça o testemunho
comum, a solidariedade e a colaboração entre os cristãos, esperando o dia
glorioso na qual poderemos professar juntos a fé transmitida pelos Apóstolos e
celebrar juntos os Sacramentos da nossa transformação em Cristo”, concluiu
Bento XVI.
Saudação do Papa em português
No final da Audiência Geral, o Papa saudou os diversos grupos de fiéis e
peregrinos vindos das várias partes do mundo, dizendo em português: “Amados
peregrinos de língua portuguesa, nomeadamente os brasileiros vindos de São
Paulo, Recife, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, sede bem-vindos! A todos saúdo
com grande afeto e alegria, exortando-vos a perseverar na oração, nesta Semana
pela Unidade, para que possa crescer entre os cristãos o testemunho comum, a
solidariedade e a colaboração! E que Deus vos abençoe!”
A Audiência Geral foi concluída com a oração do Pai Nosso em Latim (Pater
Noster) e a Benção Apostólica.
Fonte: CN Noticias