Às 18h1min da última sexta-feira, 8 de julho de 2011, (horário de Brasília), o mapa-múndi ganhou um novo país. O Sudão do Sul tornou-se, oficialmente, independente do Sudão. Nas ruas da capital da nova nação, Juba, centenas de pessoas comemoraram a independência, quando lá na África era 0h. A secessão formaliza-se após duas guerras civis que ceifaram milhões de vidas ao longo de cinco décadas. A fundação do Sudão do Sul divide em dois aquele que antes era o maior país africano. Em janeiro, 99% dos eleitores do Sudão do Sul votaram a favor da separação de região, de maioria cristã e animista. O Norte, onde agora é só o Sudão, a população é de maioria muçulmana e de origem árabe. O presidente do novo país chama-se Salva Kiir Mayardit, mas ele governará de forma interina, até as eleições presidenciais.
O país nascente tem o solo encharcado de petróleo, mas já é uma das nações mais pobres do planeta, com alta taxa de mortalidade infantil. O analfabetismo chega à extratosfera: 84% entre as mulheres. Embora ainda não haja estatísticas oficiais, a ONU estima a população em 9,5 milhões.
Embora possamos torcer para que a divisão acalme os ânimos e ponha fim a décadas de conflito, o nascimento do país já ocorre sob tensão. As fronteiras ainda não estão completamente definidas. E o maior foco de disputa é a região de Abyei, rica em petróleo. Em maio, forças do Sudão do Norte entraram na área. Os conflitos forçaram 170 mil pessoas a fugir. Cerca de 7 mil capacetes azuis da ONU devem desembarcar na região nos próximos dias, por ordem do Conselho de Segurança da ONU.
Outro problema é que a maior parte das reservas fica no Sul, mas toda a infraestrutura para refino e transporte fica no Norte.
Outro problema, de ordem prática – e diplomática – é onde sentará o representante do Sudão do Sul no plenário da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. O local já está apertado, e os líderes mundiais se espremem durante as reuniões.