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FORTALEZA PODE FICAR SEM ÔNIBUS A PARTIR DE HOJE – 2 DE AGOSTO

Terça-feira - 2 de agosto de 2011

 Mais de um milhão de pessoas dependem do transporte público na Capital; 30% da frota circulante - 527 ônibus - devem permanecer em circulação mesmo durante a greve
KID JUNIOR

De acordo com os motoristas, a paralisação deve durar até a próxima quinta-feira, quando acontece outra reunião
Mesmo com uma categoria dividida entre aderir à paralisação dos serviços de transporte coletivo de Fortaleza, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Urbanos de Fortaleza (Sintro) garante, por meio de seu advogado, Cláudio Rennó, manter a posição de realização de greve de motoristas, fiscais e cobradores a partir de zero hora desta terça-feira.
De acordo com a assessoria jurídica do Sintro, a categoria ainda esperava, até o fim da trade de ontem, por uma palavra do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), que pudesse evitar a paralisação prevista para hoje e amanhã na Capital. Já a assessoria de impressa da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), o órgão não foi comunicado oficialmente sobre a greve, portanto, caso haja a paralisação, as empresas que não mantiverem seus veículos (ônibus) à disposição da população de Fortaleza, serão notificadas e penalizadas.
Ainda de acordo com a assessoria, a Etufor está reforçando o monitoramento dos veículos via GPS. Atualmente, segundo a Etufor,1759 ônibus circulam na Capital e mais de um milhão de pessoas precisam do transporte público. Por ser considerado serviço essencial, o efetivo mínimo de 30% da frota circulante em Fortaleza, deve permanecer em circulação enquanto durar a paralisação, ou seja, 527 ônibus.
Para o Sindiônibus, o momento agora é de espera. Segundo sua assessoria de imprensa, o impasse somente terá resposta na quinta-feira, após discussão em audiência, às 10h, no Tribunal Regional do Trabalho do Ceará (TRT/CE).

Apreensão
Durante a manhã de ontem, diante da eminência de greve, usuários se mostravam apreensivos e ao mesmo tempo revoltados com a situação. A estudante Claudilene Sousa Costa, 24 anos, se deparou com a notícia da greve no primeiro dia de aula. Indignada, ela relata que já foi bastante prejudicada com as paralisações. "Já perdi aula e até prova por conta da falta de transportes. Os motoristas precisam pensar também em nós usuários que dependemos deles para nos deslocar".
Os próprios motoristas também estão divididos. Segundo Ecílio Pinheiro que trabalha há 10 anos em uma empresa de ônibus, apesar da greve ser importante para garantir os direitos dos funcionários, centenas de motoristas temem aderir ao movimento e perder o emprego. "No ano passado, a greve foi muito forte, mas depois dos episódios de vandalismo muitos motoristas foram demitidos e isso gera medo nos demais".
No entanto, caso a greve comece hoje, a Etufor já anunciou que irá notificar e penalizar as empresas que suspenderem as viagens. "Temos um controle operacional via GPS que monitora todos os trajetos realizados pelos veículos. Se houver paralisações ficamos informados simultaneamente", destaca a assessoria de imprensa da Etufor.
Conforme Domingos Neto, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários do Estado do Ceará, a categoria fez o possível para evitar a paralisação, contudo, é preciso existir colaboração do Sindiônibus. De acordo com ele, o Sintro enviou, na última sexta-feira, dia 29, um comunicado para o Sindiônibus informando uma nova proposta.
Até o fim da tarde de ontem, o Sintro ainda tinha esperanças de resolver o impasse criado com o sindicato patronal.
Para o advogado da categoria, Cláudio Rennó, os motoristas ainda esperavam que os empresários revissem suas posições e acatassem o pleito de 9,9% de reajuste salarial. Segundo informou o Sindiônibus, nada mais será possível fazer até a próxima quinta-feira, quando haverá a audiência acerca do dissídio coletivo.
"Estamos pedindo agora 9.9% de aumento e um vale de refeição de R$ 7,50. Não estamos querendo nada demais só os nossos direitos", ressalta Domingos Neto.
A audiência será conduzida pelo desembargador Antonio Marques Cavalcante Filho, relator do dissídio coletivo ajuizado pelo Sindiônibus, no último dia 27 de julho.
O encontro entre empresários e motoristas de ônibus acontece na próxima quinta-feira, às 10 horas no Tribunal Regional do Trabalho do Ceará (TRT/CE). Os empresários usam como estratégia esperar pela decisão judicial. Os motoristas garantem permanecer com a greve por tempo indeterminado.

KARLA CAMILA E ELIELDO TRIGUEIRO
ESPECIAL PARA CIDADE

PROFESSORES DO ESTADO DECIDEM POR GREVE

Diário do Nordeste

Terça-feira - 2 de agosto de 2011


Deliberação da assembleia geral da categoria, realizada no Ginásio Paulo Sarasate, será comunicada hoje ao Governo do Estado de que a paralisação ocorrerá em 72 horas
VIVIANE PINHEIRO
Estudantes da rede estadual estavam aflitos com a paralisação, já que faltam apenas 82 dias para o exame
ALEX COSTA
Paralisação nas escolas da rede estadual deve acontecer na sexta-feira. Ao todo, 660 unidades podem parar
Com aprovação unânime da categoria, os professores da rede estadual decidiram, na tarde de ontem, pela greve geral no interior e na Capital. O comunicado oficial ao Governo do Estado será feito hoje, às 8 horas, e após 72 horas ocorrerá a paralisação geral, ou seja, a partir de sexta-feira, dia 5, as aulas na rede estadual estarão suspensas por tempo indeterminado.
A decisão foi votada em assembleia geral, realizada no Ginásio Paulo Sarasate. Estiveram presentes cerca de cinco mil professores da rede, segundo estimativa da Polícia Militar. O Sindicato dos Professores do Estado do Ceará (Apeoc), informou que 32 mil professores farão parte da paralisação, destes, dez mil são temporários.
"A proposta apresentada pelo governador Cid Gomes na última quinta-feira, é uma decisão arbitrária, além de não implementar o piso, destrói com a carreira. Hoje, além do pior piso salarial de professor do País, teremos a pior carreira", desabafou o presidente da Apeoc, Anízio Melo.
O vice-presidente do sindicato, Reginaldo Pinheiro, diz que a maior revolta da categoria é no que se refere a gratificação, pois não estimula e nem reconhece o valor dos professores graduados, mestres e doutores.
A proposta apresentada pelo governo, no último dia 28, aplica um piso de R$ 1.187,97, e não o de R$ 1.597,87, aos professores com ensino médio. E no que se refere as gratificações de regência de classe, de especialização, mestrado e doutorado, não serão mais sobre a referência salarial em que o professor com nível superior se encontra, e sim baseadas no piso de início de carreira, que é R$ 1.818,18.
"Isso modifica toda a estrutura de carreira. Na verdade, o professor especialista vai ganhar apenas R$ 90,91 a mais que o graduado, ou seja, 5%", explicou Reginaldo Pinheiro.
Sobre a decisão dos professores de paralisar, a Secretaria de Educação do Estado (Seduc) informou que ainda não recebeu nenhum comunicado oficial, o que não permite fazer apreciações sobre a questão. A secretaria assegurou que, na reunião do dia 28, acolheu a solicitação das lideranças Apeoc.
Ao todo, pertencem a rede estadual de ensino 660 escolas, as quais estão inseridos 487 mil estudantes.

Ensino
487 Mil alunos pertencem à rede estadual de ensino, distribuídos em 660 escolas em todo o Estado do Ceará. Os dados informados são da Secretaria de Educação (Seduc)

32 Mil professores pertencem à rede estadual. Segundo o Sindicato dos Professores do Estado do Ceará (Apeoc), 90 % têm nível superior e serão os mais atingidos

VOLTA ÀS ESCOLAS
Proximidade do Enem preocupa
O clima era de tensão no primeiro dia letivo; alunos reclamaram das greves dos professores e dos ônibus
Estudantes da rede estadual de ensino tiveram um retorno às aulas um tanto conturbado. Como se não bastasse a greve de ônibus que pode ter início hoje, em pleno segundo dia letivo do semestre, eles já estavam tensos com a paralisação dos professores. A principal preocupação é com a proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será daqui a apenas 82 dias.
O diretor da Escola de Ensino Médio Governador Adauto Bezerra, no Bairro de Fátima, Humberto Mendes, explicou que, antes do início das aulas, é feito todo um planejamento para o segundo semestre, que terá de ser mudado. De acordo com Mendes, os alunos do 3º ano que irão fazer a prova do Enem terão um suporte maior.
Aline Monteiro, 17 anos, faz o terceiro ano e já sabe para qual curso irá prestar vestibular: Administração. Contudo, ela revela que está aflita com a greve. "A Adauto Bezerra está preocupada com os alunos, eles nunca nos deixam na mão, mas, mesmo que tenham algumas aulas, não será a mesma coisa", afirma a estudante.
Adson Ribeiro, 15 anos, faz o 1º ano e disse que não ficou empolgado com a volta às aulas, por causa da greve dos professores e dos ônibus. "A gente entende que os professores têm direito de reivindicar os seus direitos, mas o prejuízo é nosso, que vamos ficar sem as férias", lamentou. Erika Waleska Tibúrcio, 15 anos, se disse desmotivada com a paralisação. "A gente mal voltou às aulas e já vai ter greve", reclamou.
A greve de ônibus é outro motivo de preocupação. Somente na Escola Adauto Bezerra são 2.300 alunos, oriundos de todos os bairros de Fortaleza e Região metropolitana. Portanto, uma greve os afeta diretamente.

THAYS LAVOR
REPÓRTER
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