O
Existencialismo constitui uma atitude filosófica mais do que uma escola
estritamente dita; norteia-se por certos princípios gerais, sob os quais cada
pensador existencialista coloca suas teses próprias; daí também falarem os
historiadores de «existencialismos» contemporâneos (haja vista o título da obra
de E. Mounier: Introduction aux existentialismes, Paris 1947)
O
iniciador do novo movimento, Kierkegaard, era homem profundamente religioso, luterano, que se
insurgiu contra a mediocridade da conduta de seus contemporâneos, e lhes
procurou despertar a consciência para a responsabilidade cotidiana. Todavia,
enquanto viveu, Kierkegaard não encontrou eco. A sua mensagem só se
desenvolveu quando em fins do século passado renasceu na Alemanha, apregoada
por Karl Jaspers e Martin Heidegger, que lhe deram colorido já não
religioso, mas praticamente ateu.
A
atitude existencialista se estendeu a outras nações, alimentada pelo mal-estar
e o abatimento que duas guerras mundiais consecutivas em nosso século (20)
lançaram sobre os povos ocidentais; na França contemporânea, por exemplo, ela
tem dois representantes de grande vulto: Gabriel Mareei, católico convertido em
1929, e Jean-Paul Sartre, ateu niilista até as últimas consequências, ao qual
se associam de perto Camus, Malraux e Simone de Beauvoir; na Itália podem-se
mencionar Abbagnano e Grassi, enquanto a Espanha conta com Miguel de Unamuno.
A
variedade de correntes do existencialismo (piedade luterana de Kierkegaard,
piedade católica de Mareei, impiedade extrema de Sartre) já mostra bem que o
existencialismo não é propriamente uma escola filosófica, mas uma
atitude ou tomada de posição geral diante dos problemas capitais do espírito
humano. Verdade é que, quando hoje em dia se fala de existencialismo,
frequentemente se entende a mentalidade ateia de Sartre. Não há dúvida, o
relativismo deletério altamente fomentado pelos escritos de Sartre marcou
profundamente o ritmo do pensamento e da vida modernos; muitos dos nossos
contemporâneos que não professam teoricamente o existencialismo, na prática
respiram o ar do clima existencialista que recobre o mundo atual.
Principalmente o existencialismo francês, afirmando-se. pela arte, a
literatura, o cinema e pela conduta de vida excêntrica de seus representantes,
tem penetrado na sociedade; verifica-se que levou não poucos de seus adeptos,
após uma existência debochada, ao desespero e ao suicídio.

