Folha
A
procura por atendimento no CVV (Centro de Valorização da Vida) aumenta 20%
durante as festas de fim de ano, de acordo com estimativas da entidade. O
objetivo da instituição é atender gratuitamente pessoas que precisam de apoio
emocional imediato.
Nesta
época, a maior queixa das pessoas é a solidão de não ter com quem passar o
Natal e o Ano-Novo, segundo a voluntária do CVV Adriana Rizzo, 41. Para ela,
muitos sofrem ao ver que o mundo inteiro está em festa enquanto eles não
conseguem aproveitar. “Quero que esta época passe logo para eu voltar à
rotina” é um comentário feito por vários dos que ligam anonimamente à entidade
em busca de ajuda.
A
maior procura acontece durante a noite e aos finais de semana e o atendimento
não é interrompido na véspera de Natal ou no Réveillon. Em muitos momentos, as
linhas ficam congestionadas. A Folha tentou entrar em contato entre
as 10h e 11h da manhã de quinta-feira (22) e por quatro vezes recebeu a
informação de que todas as linhas estavam ocupadas. O mesmo fato se repetiu
três vezes na noite de sábado (24).
Adriana,
que é voluntária do CVV há 13 anos, conta que já foi escalada para passar uma
noite de Natal atendendo ligações. Ela diz que foi gratificante passar o
momento comemorativo trabalhando: “Foi interessante. Muitas pessoas ligavam
para desabafar e outras que foram ajudadas por nós queriam agradecer e desejar
feliz Ano-Novo”.
Para
ela, não existe um conselho único para ser dado às pessoas que se sentem mal
nesta época. O que ela costuma fazer é ficar aberta para ouvir tudo o que a
pessoa quer e precisa falar. “O momento é dela”, diz.
As
conversas não tem tempo predeterminado. A duração pode variar entre cinco
minutos e uma hora, de acordo com a necessidade.
Anualmente
o CVV recebe aproximadamente 1,2 milhões de ligações telefônicas, o principal
canal de atendimento. Dentre elas, pouco mais da metade são pedidos de ajuda
(excluindo enganos e procura por informações).
Como
o anonimato é preservado, não é possivel identificar qual a faixa etária ou
sexo predominante entre os que procuram o serviço.
SUICÍDIO
Desde
1962, quando a entidade foi criada, o foco do atendimento mudou. Inicialmente,
o objetivo era a intervenção com pessoas que estavam prestes a se matar.
Atualmente, a filosofia do grupo é dar oportunidade para que as pessoas
precisando de ajuda possam desabafar e falar de seus sofrimentos antes de
pensarem em suicídio.
Adriana
já atendeu pessoas que falavam em suicídio. Segundo ela, após alguns minutos de
conversa a pessoa costuma se acalmar. Nesse momento, cabe ao voluntário tentar
entender qual o motivo do sofrimento. Mesmo assim, em muitos casos é impossível
saber qual foi a decisão da pessoa e o que aconteceu depois.
Alessandro
(nome fictício), 55, nunca conversou com alguém que dizia explicitamente estar
disposto a se matar, apesar de algumas pessoas atendidas contarem que já tinham
pensado nisso. Voluntário há um ano, ele conta que é comum que as pessoas digam
que se sentem melhor ao final da ligação, após conseguir verbalizar seus
problemas.
SERVIÇO
Os
atendimentos do CVV são feitos 24 horas, a partir da central telefônica 141,
por e-mail, Voip, por correspondência ou pessoalmente em uma das 71 unidades
espalhadas pelo Brasil. O site também oferece um serviço de chat em que
se pode conversar com um voluntário reservadamente.
Os
atendentes são voluntários que passam por uma seleção e por um treinamento de
três meses.


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