Não há
nenhuma melhoria nas relações entre o ensino privado e a administração da
província de Punjab no Paquistão, que tem a maior concentração de escolas
católicas deste país predominantemente muçulmano.
“Desde que as escolas nos foram devolvidas não conseguimos
organizar-nos sozinhos, e continuamente temos que pedir a ajuda do governo
especialmente para as instituições de ensino técnico”, disse o padre Paul
Joseph Leonard, que dedicou uma vida inteira para a educação católica no
Paquistão e tem desempenhado um papel
essencial na restituição das escolas confiscadas pelo estado, informou neste 12 de janeiro a agência
Eglises d’Asie das Missões Estrangeiras de Paris.
Já faz tempo que as escolas foram devolvidas à Igreja, mas apesar
de tudo, os efeitos da nacionalização continuam pesando negativamente na
qualidade do ensino. Mais preocupante
ainda é o fato de que as instituições privadas – já forçadas a terem altos
custos – agora devem lidar com os intermináveis procedimentos e desconfortos
burocráticos do governo
Em 1972, o então primeiro-ministro
Zulfiqar Ali Bhutto ordenou a nacionalização de todas as escolas e
universidades dirigidas pela Igreja em Sindh e no Punjab (esta província é o
lar de cerca de 80% da população cristã do país e a maioria das instituições
privadas). Desde os anos 90, as escolas foram gradualmente restituidas, após
longas e dispendiosas negociações, sem qualquer compensação financeira do
governo.
Em 2011, depois de reiterados pedidos dos líderes cristãos para o
governo do Punjab cumprir sua promessa de restituir as escolas, o governo local
se comprometeu a concluir o processo de desnacionalização (de 37 escolas
católicas e 19 protestantes), mas em troca do pagamento de uma caução elevada.
Em 2004, os bispos católicos e protestantes do Punjab foram
forçados a tomar novas medidas, desta vez com o primeiro-ministro paquistanês
Shaukat Aziz. Mas, apesar dos pagamentos de caução já realizados, muitas instituições
cristãs ainda estão nas mãos das autoridades provinciais.
Ao iniciar um novo ano, a Igreja não tem sido capaz ainda de
recuperar algumas das suas escolas, como em Lahore, onde o secretário-executivo
do Escritório de Educação Católica, Shanti Maxwell, lamenta a deteriorização de
um prestigiado instituto antes de ser nacionalizado. “Hoje em dia todo o prédio
está caindo aos pedaços. Tentamos recuperar a estrutura, mas o governo
argumenta que não temos os documentos necessários. Os terrenos adjacentes, que
não receberam manutenção, estão igualmente em ruínas”.
A situação não muda na diocese de Islamabad-Rawalpindi. “A qualidade da educação tem sofrido muito durante a nacionalização e agora nessas escolas que foram abandonados à sua sorte, há muito pouca participação dos professores e dos alunos”, disse William John, secretário-executivo.
A situação não muda na diocese de Islamabad-Rawalpindi. “A qualidade da educação tem sofrido muito durante a nacionalização e agora nessas escolas que foram abandonados à sua sorte, há muito pouca participação dos professores e dos alunos”, disse William John, secretário-executivo.
No final, as escolas católicas restituidas estão sofrendo a
falta de fundos do governo, criando o medo de ter que fechar suas portas. Em
2009, muitas escolas tiveram grandes dificuldades para adaptar-se às novas
regras emitidas pelas autoridades do Punjab.
Devido à deteriorada situação de segurança no país, todas as escolas – públicas e privadas – devem ser cercadas por arame farpado, com um muro de dois metros de altura com câmeras de vigilância e com guardas armados na entrada, apoiados por detectores de metais e scanners.
Devido à deteriorada situação de segurança no país, todas as escolas – públicas e privadas – devem ser cercadas por arame farpado, com um muro de dois metros de altura com câmeras de vigilância e com guardas armados na entrada, apoiados por detectores de metais e scanners.
Enquanto a província pagou para as escolas públicas, as
particulares não receberam nenhuma ajuda ainda estando, assim mesmo, obrigadas
a respeitar as novas orientações das autoridades educativas, sob pena de
fechamento.
Além dos problemas financeiros, as escolas cristãs do Punjab
estão enfrentando a discriminação por causa da islamização gradual. Em 2005, o ministro de Educação do Punjab, Imran Masood, disse aos
líderes da educação católica em Lahore: “Nós não lhes consideramos
estrangeiros. Suas escolas são nossas escolas (…) e acreditamos que as minorias
devem participar plenamente na educação da nossa nação (…). Por favor, abram
faculdades e universidades. Daremos todas as licenças necessárias e também a
restituição de todas as escolas que faltam para serem devolvidas”. Mas em 2006, apesar das suas
promessas, o governo tornou obrigatório para as escolas do país, “o ensino do
Islã e do árabe (o islamiyat) como matérias principais e de moral para os
não-muçulmanos”. Uma medida rapidamente denunciada pelas
minorias como altamente discriminatória.
Em 2009, uma nova reforma para integrar a “madrassa” ou escola do
Corão concluiu o processo de islamização do sistema educacional, tornando
obrigatório o ensinamento da islamiyat em todas as escolas. Desde então, a Igreja Católica, as organizações de
defesa dos direitos humanos e observadores internacionais não pararam de
denunciar a inconstitucionalidade desses programas e a “intolerância
religiosa”, promovido nos livros didáticos.
Juntaram-se a essas discrimações as penhoras, fora de lugar, por
parte da autoridade provincial de Punjab, das propriedades e estruturas
gerenciadas pela Igreja. Recentemente, o governo demoliu um complexo gerenciado
conjuntamente pela Igreja Católica e Caritas Paquistão em Lahore. No
dia 11 de janeiro, milhares de cristãos protestaram em Lahore
bloqueando as estradas que levam ao complexo, para denunciar as “manobras
criminosas” por parte das autoridades e as “violações dos direitos das minorias
religiosas”.
(Tradução TS)
(Tradução TS)
Fonte: Blog do carmadelio


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