Zenit
Enquanto a Igreja dos EUA continua a sua campanha em
defesa da liberdade religiosa, com a campanha “Duas semanas pela Liberdade”, um
recente ensaio examina a variedade das ameaças a este princípio .
In Challenges to Religious Liberty in the
Twenty-First Century (”Desafios para a Liberdade Religiosa no Século
XXI”), O colunista Gerard V. Bradley, coletou dez ensaios sobre o tema,
divididos em cinco combinações, cada qual examina uma perspectiva diferente do
debate.
Os desafios à liberdade religiosa aparecem
diariamente nas manchetes, observa o editor na
introdução. Bradley, professor de direito na Universidade de Notre Dame, disse
que, se por um lado a liberdade religiosa pode ser defendida por um regime
político, precisa antes de mais nada de uma massa crítica de pessoas que
acreditem na liberdade religiosa e lhe atribua um valor.
Vários estudos demonstraram que cerca de dois terços
da população mundial mora em países em que existem restrições à liberdade
religiosa, num tempo em que, paradoxalmente, todos os tratados e as declarações
internacionais, o afirmam.
Sempre existirão conflitos entre leis e consciência
religiosa, observa Christopher Wolfe no seu ensaio. O melhor que podemos fazer,
diz Wolfe, co-diretor do Ralph McInerny Institute for Thomistic Studies,
é tentar estabelecer alguns princípios gerais.
Segundo Wolfe, para os primeiros 150 anos de
história americana, os valores do direito constitucional e a ação
religiosamente fundamentada foram sempre protegidas integralmente. Tudo começa
a mudar em meados do século XX, quando os tribunais começam a sentenciar que
diante de impelentes razões de estado, podem-se colocar limites às ações
religiosas.
Wolfe argumentou que não são somente os tribunais
que podem decidir sobre instâncias constitucionais, e que os juízes não podem
emitir decisões políticas em áreas onde muitas vezes a Constituição não é
clara, sendo formulada em termos muito gerais.
Consciência
A liberdade religiosa deve ser defendida
por duas razões principais, diz Wolfe. Em
primeiro lugar ela permite dar culto a Deus e cumprir os preceitos religiosos.
Em segundo lugar, ela preserva o bem moral das pessoas, que podem agir de
acordo com as suas consciências.
A consciência é também um tema do ensaio de
Christopher Tollefsen. Professor de Filosofia na Universidade da Carolina do
Sul, Tollefsen explica que “os juízos de consciência são o nosso veredito final
sobre a forma como estamos feitos”.
Esta capacidade de criar ações livres, de acordo com
a nossa consciência, nos distingue dos outros animais, por isso devemos
protegê-la o quanto seja possível.
Com relação à religião, Tollefsen insiste no fato de
que a liberdade de consciência é vital, em quanto que nos faz capaz de
buscar a verdade religiosa e agir em base a ela.
O estado, continuou, é feito para proteger os
cidadãos. Portanto, o Estado deve defender também a liberdade de consciência.
Uma posição que Thomas Farr divulga muito, consultor
sênior do Berkeley Center for Religion, Peace en World Affairs. “A liberdade
religiosa é um bem político e moral para todos os seres humanos e todas as
sociedades”, afirma em um dos seus artigos.
Portanto, continua Farr, uma negação ainda que
parcial da liberdade religiosa, “é um assalto à dignidade humana e à justiça,
bem como ao princípio fundamental moral e político da igualdade sob o senso da
lei”.
Outros
países
Se os Estados Unidos, diz Farr, fosse capaz de
ajudar os outros países a abraçarem a liberdade religiosa, não só
ajudariam a dignidade humana mas determinariam uma grande conquista moral e
política.
A dimensão internacional da religião é o argumento
de outro livro, recentemente publicado,Rethinking Religion and World Affairs
(Oxford University Press), uma antologia de ensaios editada por Timothy
Samuel Shag, Alfred Stepan e Monica Duffy Toft.
Supõe-se que a religião tenha sido marginalizada
pela secularização, afirma Shag na introdução. No entanto, após o 11 de
setembro, ela ocupa um lugar fundamental na atenção da opinião pública mundial.
A maioria das teorias de política externa, que tendiam a ser de inclinação
muito secular, ao explicar os fatos dos últimos 10 anos, demonstraram como as
mesmas teorias devem levar em consideração fatores religiosos.
A religião não é um perigo, afirma Toft em seu
ensaio. Na verdade, a violência é a exceção. Embora a religião possa ser uma
fonte de violência, ela mobiliza milhões de pessoas a se oporem aos regimes
autoritários e aliviar os sofrimentos humanos.
Porque a violência religiosa tornou-se tão
importante nos dias de hoje? As ideologias laicistas, que uma vez pareciam
destinadas a triunfar, falharam e assistimos o ressurgimento da fé religiosa ao
redor do mundo.
O diálogo inter-religioso e as relações
internacionais foram tema do ensaio de Thomas Banchoff, professor associado na
Gergetown University. O período que se seguiu ao Concílio Vaticano II foi uma
antologia do diálogo inter-religioso, diz o estudioso.
Como demonstra este e muitos outros livros, a
religião é parte integrante da vida humana e as tentativas de ignorar isso ou
de eliminar o seu papel estão destinadas a um fracasso certo.
[Tradução Thácio Siqueira]
Fonte: Blog do
Carmadélio


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