Amanda Lourenço,
Folha de São Paulo.
“Minha
irmã foi chamada à delegacia quando fui detido por possuir material de
pornografia infantil no computador. Foi paradoxal, porque sempre temi esse dia,
mas ao mesmo tempo foi um alívio ser desmascarado.
Minha prisão foi um ‘clique‘. Antes, eu minimizava o caso, fingia que
não era nada demais. Antes, não seria capaz de pedir ajuda.
Minha
irmã tem filhas pequenas, poderia ter virado as costas para mim. Mas,
felizmente, decidiu me ajudar.
Consegui
uma suspensão condicional da pena por ter um bom emprego e um bom advogado.
Minha irmã me encaminhou para a associação L’Ange Bleu [na França]. Seu apoio
foi essencial.
Hoje,
na terapia, tento não só reprimir meu desejo, mas entender por que sinto isso. O foco do tratamento
é nas minhas relações sociais, nos meus bloqueios. Aos poucos, vamos
descobrindo coisas reveladoras, surgem respostas.
O
medo de me relacionar com adultos está desaparecendo devagar. Ainda não consigo
me relacionar amorosamente com ninguém. Sou tímido com as mulheres.
As
reuniões de grupo da associação também são muito úteis. Além de poder conversar
com pessoas na mesma situação que eu, posso ajudar quem acabou de chegar.
Apesar
do tratamento, não acredito que serei curado. Espero encontrar uma pessoa
bacana e viver uma vida normal de casal, mas mantendo minha fantasia escondida.
Isso é bem frequente.
Condeno
os agressores sexuais. Se consigo me controlar, por que não eles?”
Hugo*,
35, é francês e trabalha em uma empresa de transportes


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