Ser
católico por inteiro *
Gostaria
de discutir o problema da adesão à fé católica, não na perspectiva prática,
porque nesta seara, infelizmente, por causa do pecado, os católicos vivemos os
ditames do evangelho mais ou menos.
Quero tratar do tema no viés doutrinal.
Neste diapasão, ou se é 100% católico ou não se é
católico em hipótese nenhuma.
Não
posso ser católico e, ao mesmo tempo, advogar a tese de que Jesus não fundou
nenhuma Igreja específica; apenas instaurou uma novel religião.
Não
posso ser católico e perfilhar a teoria de que nossa Senhora teve relações
sexuais com seu casto esposo.
Não
posso ser católico e, concomitantemente, asseverar que não há demônios nem
Satanás.
Não
posso ser católico e, outrossim, prestar atenção ao espiritismo.
Não
posso ser católico e fazer ouvidos moucos ao que o papa ensina.
Não
posso ser católico e me colocar em prol do aborto, ou, então, ficar em cima do
muro. Eis somente alguns exemplos.
Exemplificando,
a pretexto de não vulnerar a suscetibilidade dos nossos irmãos separados, a
doutrina protestante não é mais herética: cuida-se apenas de visões diferentes,
verberam alguns. Deixemos o mínimo que nos separa, postulam outros, e nos
unamos no máximo que nos é comum! Que máximo é esse, se frei Lutero solapou
todos os sacramentos, preservando unicamente o batismo?
Quando
o mal da não adesão plena e obsequiosa é perpetrado por certos padres, estamos
em face de uma vicissitude gravíssima. Aqui, em vários casos, vigem a
arrogância e a soberba, uma espécie de desdobramento do pecado original: quer-se
saber mais do que a Igreja de Cristo!
Temos
de ser ecumênicos sim, sempre amorosos com nossos irmãos separados e com os
membros de qualquer religião, cônscios de que não somos melhores do que eles e
que Deus ama todos os homens. No entanto, devemos resgatar nossa
belíssima identidade católica, assumindo-a plenamente, sem respeitos
humanos, acatando cabalmente o magistério. Esta obrigação é ainda mais urgente
por parte dos padres, que têm o múnus de industriar a puríssima doutrina de
nosso Senhor Jesus Cristo, custodiada pela Igreja católica.
Edson
Luiz Sampel
Doutor
em direito canônico
Professor
do Instituto Pio XI (Unisal) e da Escola Dominicana de Teologia (EDT)
Membro
da Sociedade Brasileira de Canonistas (SBC)
*Artigo
para o jornal O São Paulo – dia 10 de agosto de 2012


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