Sacerdote afirma que o demônio tem mais facilidade de acesso
nas famílias em que os pais fizeram escolhas maliciosas.
Um sacerdote americano que atualmente está treinando para ser
exorcista na diocese de Roma (Itália), assegurou que o diabo e os demônios em
geral odeiam a família porque esta é “uma imagem da Santíssima Trindade”.
Em entrevista concedida ao grupo ACI, o presbítero, que
preferiu manter-se no anonimato, assinalou que entre os fatores comuns que
encontra nas pessoas possuídas vê pessoas com “profundas feridas em suas vidas
e sobre tudo, na sua família”.
O sacerdote indicou que o demônio facilmente tem acesso a
famílias onde “os pais fizeram escolhas realmente más”, e ao obrar assim
“convidaram influências malignas ao interior do seu lar”.
As más ações que atraem o demônio aos lares são “a
infidelidade conjugal, o aborto, ou fazer coisas que desunem a família”,
assinalou.
O presbítero admitiu que nunca pensou em dedicar-se ao
exorcismo, mas um inesperado acontecimento em uma de suas primeiras Missas após
sua ordenação, conferida 15 anos atrás, marcou o início de sua aproximação a
este trabalho sacerdotal.
“No momento da consagração do sangue precioso, pedi ao Senhor
que derrame seu sangue sobre a juventude e ajude a todos os jovens varões que
poderiam ter vocação ao sacerdócio”, recordou.
Muitos anos depois, ele é parte de uma nova geração de
exorcistas em formação nos Estados Unidos, logo depois que os bispos do país
decidissem, em novembro de 2010, aumentar o número de exorcistas nas dioceses
do país.
Apesar de que a lei canônica estipula que cada diocese
deveria contar com um exorcista, estima-se que não existem mais de 50
sacerdotes dedicados a este trabalho nos Estados Unidos.
O sacerdote, originário do nordeste dos Estados Unidos,
explicou ao grupo ACI que “nós nos organizamos para assegurar que os que mais
necessitem desta ajuda a obtenham”.
Durante sua estadia em Roma, onde foi enviado por seu bispo
para aprender do trabalho de seis exorcistas oficiais dessa diocese, o
sacerdote está “envolvido” em uma média de três exorcismos por dia.
“Não há dois casos parecidos. Este foi um verdadeiro
aprendizado para mim. O rito do exorcismo não é uma fórmula mágica”, disse.
O sacerdote assinalou que “não é o demônio ou o exorcista
quem está ao centro disto, mas uma pessoa que está sofrendo muito e que
necessita de libertação certeira através de Cristo”.
O presbítero explicou que, em relação à correta terminologia,
“demônio vem do grego, diabo do latim, qualquer um desses nomes estão bem” para
designar Satanás. O exorcista combate, “anjos caídos que foram criados bons”,
explicou.
Os primeiros Padres da Igreja, entre eles São Jerônimo e
Santo Agostinho, especularam que estes anjos se rebelaram “pela revelação do
plano de Deus da encarnação” e sua “repulsão à idéia de que Deus, que é
espírito puro e infinito, tivesse que fazer-se homem”.
Por esta razão, o sacerdote indicou que os demônios têm uma
“fascinação com o físico” e por “fazer que as pessoas sofram”.
“Uma vez que o rito inicia, normalmente (o demônio) começa-se
a manifestar na pessoa, que sofre de diferentes maneiras, com violência,
mudanças no rosto, mudança da voz, é diferente”, disse o padre recordando
recentes exorcismos.
O sacerdote assegurou que o demônio “só quer intimidar, mas
basicamente é preciso ignorá-lo e dizer ‘ouça, eu sou quem dá as ordens aqui”.
A inteligência angélica do demônio, disse o padre na sua
entrevista ao grupo ACI, também implica que eles sabem que Deus só permite suas
atividades diabólicas para levar a salvação a pessoas através de um “sofrimento
expiatório”.
“Estas pessoas que sofrem estão se santificando ao oferecer
seus sacrifícios”, que Deus então recebe e “abençoa a grande parte da Igreja em
todo mundo”.
O sacerdote afirmou que “quando recorda isso ao diabo, ele
fica furioso”, porque sabe que está perdendo, e portanto “quer conseguir o que
puder, enquanto pode. Se não puder ganhar as almas destas pessoas, quer ao
menos fazer suas vidas miseráveis”.
O presbítero americano indicou que quando fala com o demônio
faz “uma série de perguntas: ‘qual é seu nome?’, já que quando usa seu nome em
uma ordem, isso o debilita”. Uma vez que o demônio diz seu nome, o exorcista
lhe ordena “sair”, e também lhe poderia perguntar “como entrou e quando vai
sair”.
“(Ao responder a) este último é como se eles tivessem sido
treinados para dizer o mesmo, ‘nunca sairei’, mas eventualmente o farão”.
A chave é limitar o diálogo, disse o aprendiz de exorcista.
“Não se deve fazer perguntas só por curiosidade, isso não é saudável”,
sublinhou.
Também é possível “dizer coisas para humilhar o demônio”,
tais como invocar a presença de Santos, dos anjos da guarda e, a mais “temida”
de todas, a da Virgem Maria. Então é “realmente possível ver uma mudança no
comportamento do demônio”.
O final vem freqüentemente quando o diabo começa a mostrar
arranques de ira e violência, e é “comum que expulse espuma pela boca”.
No caso da quebra de uma maldição, a pessoa “começará a
vomitar objetos que foram usados na maldição. O vômito fica verde, logo
vermelho, e outra vez verde”.
Então, o exorcista sabe que “estou tocando fundo, que isto
está sendo realmente eficaz e esses são bons sinais. Não é algo prazenteiro de
ver, mas você sabe que ‘eu estou sendo efetivo aqui’”.
Fonte: ACI Digital


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